Quando o palco chama… não dá para fugir!
A história do GARA, grupo de teatro homenageado na 18ª edição do Festival Nacional de Teatro de São João Nepomuceno, começa exatamente assim.

Marli Domingos, atriz e uma das fundadoras do grupo, conta que o fascínio pelo palco sempre existiu, mas foi em um pequeno evento do bairro que aconteceu o primeiro contato com a plateia. Na época, ela foi convidada para dançar uma música da Madonna e aceitou o desafio. Esse foi apenas o início do que estava por vir.
Depois disso, vieram o curso de teatro com o saudoso José Luiz de Carvalho Nunes, as aulas de dança, as apresentações em eventos da igreja ao lado da irmã… e ela nunca mais parou.
“Fiz o curso do José Luiz junto com umas amigas e lá começou a minha paixão pelo teatro. Apresentamos as peças A Bruxinha que Era Boa e Chapeuzinho Vermelho”, relembra.
Já para Helena Domingos, atriz e diretora do grupo, a relação com o teatro começou do outro lado: na plateia. Sempre que podia, assistia a peças e se encantava com a magia das histórias encenadas. Por se considerar tímida, observava tudo com certa distância, sem se imaginar em cima de um palco. Ainda assim, os textos, os personagens e a emoção do teatro já despertavam nela uma admiração profunda.
“Meu pai adorava contar histórias quando eu era pequena. Eu me apaixonei por essas histórias e, assim, comecei a escrever”, conta.
Depois de ler O Fantástico Mistério de Feiurinha, livro indicado à sobrinha pela escola, Helena decidiu transformá-lo em uma peça teatral que foi apresentada na primeira edição do Nepopó.
Desde o início do grupo, a família se mostrou peça fundamental nessa trajetória. Além de Helena e Marli, a irmã Carminha também contribui com a direção e com a produção dos figurinos do grupo.
A mãe, Dona Maria José, de 98 anos, foi a primeira incentivadora: opinava nos figurinos, dava sugestões para as encenações e, até hoje, faz questão de prestigiar cada apresentação.

Os sobrinhos cresceram diante da plateia, colecionando troféus, aplausos e elogios das tias.
“Eu gosto de vê-los no palco. A Ana Clara tem presença, postura, é uma verdadeira princesa. Já o João é mais voltado para a comédia, é divertido, enche o palco”, contam.
No GARA é assim: quem não é da família, acaba se tornando família. Ao longo dos anos, muitas pessoas passaram pelo grupo e seguem sendo lembradas com carinho. Para além dos espetáculos, o GARA também se tornou porta de entrada para o teatro na vida de muitas crianças do bairro Santa Rita, que tiveram ali o primeiro contato com os palcos.
Inicialmente, o grupo era conhecido como “As Meninas”, formado apenas pelas irmãs. Com a chegada de novos integrantes, surgiu a necessidade de um novo nome. Foi então que nasceu o GARA, inspirado na palavra “garra”, grafada com apenas um “r”, simbolizando a força, a dedicação e a paixão que sempre marcaram a trajetória do grupo.
O grupo acompanhou o nascimento do Nepopó, a convite de Aldo Novato, e segue, até hoje, atuando ativamente na produção do Festival, ajudando a construir e manter viva a história do teatro em São João Nepomuceno.







